Marina tem 26 anos, trabalha com marketing e guarda R$ 400 por mês há dois anos para comprar o primeiro carro. Já juntou quase R$ 10 mil, mas, quando pesquisa preços, o sonho parece cada vez mais distante. Foi em uma dessas pesquisas que ela leu uma notícia que mudou sua forma de pensar: o consórcio — aquele produto que ela achava que era “coisa de quem não consegue financiamento” — bateu recordes em 2025 e vem atraindo justamente quem tem dinheiro: empresários e investidores de alta renda.
A pergunta que ficou na cabeça dela — e que talvez fique na sua — é simples: se quem entende de dinheiro está usando consórcio, por que eu ainda não sei como ele funciona?
O mercado que quebrou recordes em 2025
Os dados da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) mostram um setor em plena expansão:
- 5,16 milhões de cotas vendidas em 2025 — alta de 15% sobre 2024
- R$ 500,27 bilhões em créditos comercializados — crescimento de 32,1%
- 12,76 milhões de participantes ativos — novo recorde histórico
A projeção do setor é de seguir crescendo: a estimativa aponta alta de 11% para 2026.
Mas o mais interessante não está nos números — está em quem entra. Matéria publicada no Valor Econômico mostra que o consórcio deixou de ser um produto restrito ao varejo e passou a aparecer em conversas de quem planeja grandes aquisições e a organização do próprio patrimônio.
Mas afinal, o que é consórcio?
Pense no consórcio como uma compra planejada em grupo. Um grupo de pessoas concorda em pagar, todo mês, um valor que vai para um fundo comum. Esse dinheiro acumulado é usado para entregar cartas de crédito aos participantes — e a entrega acontece de duas formas: sorteio ou lance.
Os termos que você precisa conhecer
- Cota: a sua “posição” no grupo. É o que define o valor do crédito e a sua mensalidade.
- Carta de crédito: o “poder de compra” que você recebe ao ser contemplado. Funciona como um pagamento à vista para o bem que você escolheu.
- Contemplação: o momento em que você é sorteado ou tem o lance vencedor e pode usar a carta.
- Taxa de administração: a remuneração da administradora, que organiza o grupo, realiza os sorteios e cuida de todo o processo. É diluída nas mensalidades — e os valores variam de acordo com o grupo e a administradora.
Consórcio não é investimento — e isso importa
Aqui está um ponto que os especialistas reforçam: consórcio não é aplicação financeira. Ele não funciona como ação, fundo ou título de renda fixa. Ninguém “aplica dinheiro para render” dentro de um grupo.
O valor do consórcio está no uso do crédito. Ele organiza uma compra grande ao longo do tempo, com previsibilidade e disciplina — e sem os juros de um financiamento, já que o custo principal é a taxa de administração.
É exatamente essa lógica que atrai a alta renda: quem entende de dinheiro sabe que uma compra planejada, com custo previsível, costuma valer mais do que uma dívida com juros ou um dinheiro parado que demora a virar o bem desejado.
O que isso ensina para quem está começando
A lição da Marina — e dos investidores — não é “corra e contrate um consórcio”. É mais simples e mais poderosa: grandes conquistas não acontecem por acaso; acontecem por planejamento.
Na prática, isso significa:
- Definir o sonho com valor e prazo. “Quero um carro de R$ 80 mil em até 5 anos” é um plano. “Quero um carro um dia” é um desejo.
- Encaixar o compromisso no orçamento. A mensalidade precisa caber na sua vida real, sem apertar o essencial.
- Entender as regras antes de entrar. A contemplação acontece por sorteio ou lance — e não existe prazo garantido para ser contemplado.
- Comparar antes de decidir. Avalie taxa de administração, fundo de reserva, reputação e atendimento da administradora.
A realidade que você precisa saber antes de decidir
Ser honesto faz parte de um bom planejamento: o consórcio é um compromisso de longo prazo. Em um grupo de 60 meses, por exemplo, você paga as mensalidades ao longo de todo o período — antes e, na maioria dos casos, depois da contemplação. E a contemplação pode vir logo no primeiro sorteio ou só nos meses finais do grupo. Ninguém pode prometer quando.
Por isso, antes de assinar qualquer coisa, faça as perguntas certas: qual é o valor total do plano? Quanto custa a taxa de administração? O que acontece se eu atrasar uma parcela? Como funcionam os lances?
O próximo passo da Marina
Marina não contratou um consórcio no impulso. Ela sentou com um especialista, entendeu os custos, simulou uma mensalidade que cabia no orçamento e escolheu um grupo compatível com o seu prazo. Hoje, ela não guarda dinheiro “no escuro”: cada parcela é um passo com regras claras em direção ao carro.
A diferença entre a Marina de dois anos atrás e a de hoje não é a renda. É o método.
Se o seu sonho também está esperando, o primeiro passo não é contratar nada — é se informar. Sendo eu um especialista da Ademicon, referência no mercado de consórcios, posso te ajudar a descobrir se essa ferramenta faz sentido para o seu momento.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação financeira individual. Consulte um profissional para orientação personalizada.



